Corpo de costureira obrigada a pular de ônibus por criminosos é enterrado em clima de revolta

By | janeiro 19, 2020

O corpo da costureira Tânia da Conceição Mota, de 62 anos, foi enterrado na manhã deste domingo, no Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte do Rio. Em clima de forte comoção, o velório contou com a presença de mais de cem pessoas, reunindo familiares, amigos e vizinhos da idosa, que morreu na noite da última sexta-feira ao saltar de um ônibus em movimento durante um assalto em Pilares. O sepultamento ocorreu por volta das 10h. Os parentes, abalados, não quiseram falar com a imprensa.

Antes da cerimônia, a vizinha Marileia César dos Santos, amiga da vítima há 52 anos, contou que Tânia era muito querida na comunidade. A família ficou sabendo da notícia após uma ligação do Corpo de Bombeiros, que prestou os primeiros socorros à vítima.

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— Eu estive com ela na sexta-feira de manhã, antes de nos despedirmos para irmos trabalhar. Quem fez não tem coração e causou uma dor muito grande em toda a comunidade. Ela estava animada, cheia de serviços de costura para o carnaval. Era uma pessoa muito alegre e do bem, que vai nos fazer muita falta — lamentou Marileia. — Ainda não se sabe ao certo o que aconteceu: se mandaram ela se jogar e ela pulou do ônibus ou se empurraram. As informações estão desencontradas. Exigimos justiça.

O caso ocorreu no ônibus da linha 298 (Acari — Castelo): os criminosos anunciaram o assalto quando o coletivo passava próximo ao Morro do Urubu. Segundo relatos de amigos, os assaltantes teriam exigido que alguns passageiros descessem do ônibus em movimento. Ao saltar, a costureira bateu a cabeça no meio fio e teve um traumatismo crâniano fatal. Ela chegou a ser levada para o Hospital Salgado Filho, mas morreu.

— Ela estava feliz, cheia de planos. Disse que já estava tudo organizado para a festa e que iríamos arrumar os preparativos finais na sexta, quando ela voltasse pra casa. Mas ela não voltou. Ela era minha mãe do coração, almoçávamos juntos todo domingo. Tivemos que desmarcar a festa porque não tem mais clima — explicou, emocionada, a amiga e também vizinha de Tânia, Elaine Queiroz, referindo-se à festa de aniversário do filho de uma amiga que elas estavam preparando na comunidade do Jacarezinho.

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