Milícias se unem e viram força única na Praça Seca substituindo o tráfico

By | setembro 1, 2019

A região da Praça Seca, na Zona Oeste do Rio, virou uma espécie de laboratório da milícia no estado. A Polícia Civil afirma que a união de grupos paramilitares desbancou o tráfico e passou a comandar as comunidades praticamente sem resistência.

O panorama hoje é bem diferente do de dois anos atrás, quando conflitos entre milicianos e traficantes pelo domínio dos morros do bairro eram quase diários.

Na Grande Jacarepaguá, apenas a Cidade de Deus está sob o comando do tráfico.

Por trás dessa tática está Wellington da Silva Braga, o Ecko, herdeiro da Liga da Justiça e apontado hoje como o chefe da maior milícia do RJ.

Segundo Gabriel Ferrando, titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), Ecko comandou a costura entre diferentes grupos paramilitares, com vistas a uma força “quase única” no Estado – o que deixa o combate ao grupo mais difícil e complexo.

“Há apoio recíproco entre os grupos. Não há disputa, atualmente, por território. Há acordos sobre exploração dos espaços. Ao contrário do tráfico, que possui conflito entre facções, a milícia não. É quase uma força única”, explicou.

Segundo ele, a Praça Seca foi um grande exemplo dessa união. “Foram arregimentados esforços de vários locais para fortalecer a invasão, e fortalecer [o Morro da] a Covanca contra a invasão de traficantes do Complexo do Lins pela mata”, afirmou.

A Favela da Covanca é uma das comunidades que cercam a Praça Seca – que dá nome ao bairro. Do mesmo lado ficam os morros da Barão e Bateau Mouche; do lado oposto está a Chacrinha.

Denúncia do MP cita ‘plantão’

Na última sexta-feira (30), o RJ1 mostrou que as cobranças de taxas de segurança aumentaram na região – 21 milicianos foram denunciados pelo Ministério Público do Rio. O grupo utiliza de violência para coagir moradores e comerciantes, segundo a denúncia, baseada em investigações da Draco.

A situação ocorre mesmo depois das prisões de líderes históricos do grupo, como o ex-PM Orlando Oliveira de Araújo , o Orlando da Curicica, e Horácio de Souza Carvalho, o Horácio.Muitos dos novos integrantes da milícia são ex-traficantes.

Uma das provas dessa união é o deslocamento comprovado de milicianos para diferentes locais do Rio em caso de necessidade. Homens podem ser acionados para a Praça Seca, na Zona Oeste, ou para cidades da Baixada Fluminense quando há necessidade de reforço, inclusive nos “plantões”, segundo Ferrando.

“Há inclusive comprovações de que milicianos de cargos baixos tiram plantões em vários locais, de acordo com a demanda. Zulu, preso por nós em Antares, atuou nas invasões, em que pese não ter sido reconhecido. Há informes de milicianos da Praça Seca na Tijuquinha”, exemplificou o delegado.

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