Empresa canadense Canopy Growth investe R$ 60 milhões em maconha medicinal no Brasil

By | setembro 16, 2019

São Paulo. Um dia após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciar uma consulta pública para regulamentar o uso de cânabis medicinal no Brasil, a canadense Canopy Growth – maior empresa desse mercado no mundo – oficializou o início de suas operações no país.

O investimento inicial da empresa, focado em ações educativas com médicos e imprensa e em pesquisas, é de R$ 60 milhões. Mas pode chegar até R$ 150 milhões, valor similar ao investido na Colômbia, onde a empresa atua desde 2018.

A Canopy Growth detém oito marcas de produtos feitos a partir de maconha – desde folhas para fumo a óleos terapêuticos. No Brasil, ela chega com seu braço exclusivamente medicinal, a Spectrum Therapeutics.

Jaime Ozi, líder da operação nacional da Spectrum, explica que a empresa aguarda a regulamentação ser finalizada para adotar uma estratégia no país, para importar medicamentos ou fazer plantio local. “Nós já temos investimentos na Colômbia, que tem uma legislação favorável ao plantio”.

A perspectiva da empresa é importar ou produzir o medicamento em grande escala no país, o que acredita que reduziria o custo do tratamento. Ela diz não prever qual vai ser o valor dos remédios, mas avalia que serão bem mais baratos do que a atual alternativa.

Hoje, quem utiliza medicamentos à base de cânabis precisa enviar solicitações a Anvisa para importar os remédios. Uma das principais reclamações dessas pessoas é o preço a que o tratamento chega quando é feito dessa forma: Leandro Ramires, presidente da Associação Brasileira de Pacientes de Cannabis Medicinal (AMA+ME), diz conhecer pacientes que pagam até US$ 1.000 (R$ 3.800) por mês pelos remédios.

Ele é cético sobre a promessa de redução do valor. Acredita que vai demorar para uma empresa produzir medicamentos no país conforme os requisitos da Anvisa e que ainda é necessário mais concorrência para o valor baixar. Até lá, pretende pedir autorização na Justiça para que a associação faça o plantio para consumo próprio.

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